quinta-feira, 17 de abril de 2008

Entrevista banda Manacá



O blog submusica entrevistou a Manacá,banda do Rio de Janeiro que mistura musica brasileira com arte e poesia.
Conferi ai

1-Vamo lá !Como se juntaram?
Luiz César: Eu conheci a Letícia através de um amigo em comum, tínhamos uma banda cover de Rock n Roll em geral. Em pouco tempo começamos a sentir necessidade de ter um trabalho autoral. Letícia tinha algumas músicas, eu outras... Convidamos o Baiano que era amigo dela desde a adolescência e a partir daí tudo foi acontecendo.

2-Como surgiu a idéia de misturar folclore e rock n’roll?
Luiz César: Na verdade não foi uma idéia, foi um “acidente”. A Letícia cursava Produção Cultural na UFF e começou a ter envolvimento com a cultura popular brasileira, então as letras já chegavam com essa cara. Na mesma época eu estava estudando choro, escutando muita coisa fora do universo do rock que foi o que cresci ouvindo... Foi tudo muito natural, não foi algo conceitual do tipo; “vamos fazer uma banda que misture temáticas do folclore com o rock”. Também temos muita influência de música cigana, leste europeu... Enfim, é bem variado.

3-Qual a principal característica, se existir, de ter um vocal feminino?
Luiz César: Olha, de existir um vocal feminino em si não vejo uma característica em especial, vejo na Letícia, na forma que ela interpreta as canções no palco, a performance teatral, a forma que ela lida com todo aquele universo hipnotiza as pessoas.Acho que isso é um grande diferencial no Manacá.

4-É complicado fazer essa mistura, onde vocês procuram inspiração, qual a fonte que vocês bebem para compor?
Luiz César: a inspiração surge de diversos pontos, mas o populário brasileiro em especial acredito que seja a maior fonte; o sagrado,as raízes o sincretismo,tudo isso é tentado, na medida do possível, ser trazido para o universo do Manacá e consequentemente para o nosso público.

5-Por que as musicas do Manacá tem tanta energia, essa intensidade nasce sozinha, vocês pensam nela enquanto produzem uma musica?
Luiz César: Todas essas temáticas e manifestações nas quais nos inspiramos já têm essa intensidade, além disso, os arranjos, timbres etc. acabam criando um universo místico bastante característico. Não vejo como algo muito pensado, acho que este universo te induz a criar de uma forma intensa, acaba sendo tudo muito natural.

6-Se vocês pudessem classificar o estilo do Manacá, qual seria ele, vocês se preocupam com rótulos?
Luiz César: Não, a necessidade dos rótulos é para quem trabalha com produtos, nós tentamos trabalhar com arte, por mais que ela vá se tornar um produto. Deixamos essa preocupação para quem ganha a vida com ela. Essa necessidade de fato existe, de te associar a algo, já ouvimos coisas muito engraçadas como Rock Armorial e Rock Folclórico. Vai entender. (risos)

7-Vocês se dizem influenciados por diversas bandas como: Queens of the Stone, Incubus, Os Novos Baianos, Cordel do Fogo Encantado, Cake, The Mars Volta e The Hellacopters, mais como vocês conseguem ser tão originais?
Luiz César: Influência todos nós temos diversas, escutamos muitas coisas diferentes, estas que citamos são alguns pontos comuns entre alguns ou todos os membros da banda, mas temos a sorte de na hora de juntarmos a musicalidade e as influências de cada um, conseguirmos criar algo interessante e peculiar.

8-Bandas com estilo similar são taxadas como “bandas Cult”, e essa tribo impõem muita pressão em bandas assim, esperando sempre algo inovador, vocês sentem isso, isso ajuda ou atrapalha?
Luiz César: Não, não nos sentimos pressionados até o momento, pois é tudo muito novo... Entendo o que você diz e posso inclusive identificar estas bandas, acho isso bacana por um lado, pois muitas destas bandas são realmente legais, mas acho que essa denominação traz uma carga pejorativa que me lembra o blasé, que nós do Manacá até mesmo pelas condições e universo em que fomos criados não poderíamos participar deste seguimento.

9-Como é lidar com tantos elogios recebidos pelo trabalho de vocês, como vocês lidam com o ego depois de frases como: 'A última Flor do Lácio', 'Poesia popular eletrificada'?
Luiz César: Ficamos lisonjeados,quando começamos ficamos um pouco tensos,sobre se as pessoas entenderiam e se iriam gostar do que estávamos nos propondo a mostrar, depois com uma série de aprovações e de pessoas que realmente admiramos se proporem a trabalhar conosco, a autoconfiança realmente vai aumentando, mas quando você compreende que você trabalha para a arte, e que nada é maior do que isso, você põe as coisas no lugar. Devemos nos preocupar em nos mantermos fazendo o que amamos, é clichê barato, mas é por ai... Tesão é tudo.

10-Bandas como o Los Hermanos, O Teatro Mágico, Cordel do Fogo Encantado, tem em comum, cada um com o seu estilo, a mistura de elementos de nossa cultura popular com suas musicas, vocês gostam dessas bandas, conhecem mais algumas no Underground?
Luiz César: Nós todos gostamos muito do Cordel do Fogo Encantado.

11-Vocês acham que o Rock moderno está um pouco monótono e com elementos clichês?
Luiz César: O que estamos acostumados a ver na mídia sim, mas basta darmos uma olhada com atenção, especialmente na internet para acharmos coisas fantásticas.Minhas descobertas destes últimos tempos que recomendaria são Gogol Bordello e Beirut. Se abrirmos também o leque e sairmos do rock as opções são ainda muito mais animadoras.

12-Vocês gostam de ler, estão lendo algum livro, se sim, qual, recomendam algum?
Luiz César: No momento estou relendo “Dom Casmurro”, eu tenho pegado gosto pela leitura de uns tempos pra cá, Letícia lê muito, deve estar lendo uns três no momento. Eu recomendo Lavoura Arcaica de (Raduan Nassar). Identifiquei-me muito com este livro.

13-Pra uma pessoa que não conhece muito da cultura popular brasileira, por onde vocês recomendam ele começar?
Luiz César: Mario de Andrade, Câmara Cascudo, Ariano Suassuna e por ai vai...

14-Como é estar em uma gravadora de grande renome?Acha que o som pode mudar por causa disso?
Tem sido ótimo, ouvíamos muito falar de diversas lendas dos monstros das gravadoras, enfim, até agora escolhemos o produtor do nosso disco, os responsáveis pela arte e vídeo clipe, tudo isso sem nenhuma intervenção, temos uma ótima relação com todos, o Paulo Junqueiro e Marcelo Castelo Branco que são as pessoas que tivemos maior contato e também os que têm cuidado mais de nossos interesses tem se demonstrado muito sensíveis e dedicados a somar pra um trabalho artístico de qualidade, compreendem muito bem o diferencial do Manacá e a importância de um trabalho sólido de todas as partes. Não temos do que reclamar.

15-Novidades?Shows, CD... enfim
Bom, terminamos as gravações do nosso CD de estréia que sairá pela EMI Music muito em breve, ele foi produzido pelo Mário Caldato, que é um dos maiores produtores do mundo, já trabalhou com Bjork, Beastie Boys, Blur, Beck, Nação Zumbi, Marisa Monte, Jack Johnson e vários outros, esta lindo. Estamos também terminando as reuniões de vídeo clipe, arte e etc. que também virá ao nível da produção do disco. Em Maio já devemos ter alguma coisa na praça.