O dia 23 de março foi o dia em que pela primeira vez (e que espero serem muitas outras vezes) a banda paulista The Tickets tocou em Curitiba/PR, após o sempre competente show da banda curitibana Os Cacofônicos, o Tickets começou seu show, por volta das 01:30 do domingo, a banda que conheci por um acaso e que me cativou pelo rock autentico e de ótima qualidade (preste atenção nesse superlativo, ele se repetira e não é exagero), eu descobri que a banda é ótima mesmo, após ver o show, será chover no molhado acrescentar adjetivos aqui, a começar pelo guitarrista André Doty, que toca de uma forma simples e competente, com um talento de dar inveja tamanha é a qualidade que esse “pia” consegue colocar nas musicas, o insano baterista Leo Ehrlich (ex-Hereges), que antes mesmo de começar o show dos Tickets, já bailava delirante pela pista do Porão, mostrando ser alguém muito peculiar, e mesmo com sua pequena estatura, mostra uma presença por detrás dos pratos incrível, Renan Santos, que apresenta alguns “cacoetes” dos guitarristas dos anos 2000, como tocar com a guitarra na altura do peito, e aparentar displicência, mais só aparentar, pois é perceptível que ele ta dando o melhor de si, e sua voz diferente que se encaixa de uma forma tão boa nas musicas, que se destaca tanto quanto seus riffs, algo em comum entre o André e o Renan é que ambos tocam guitarra como se estivesse masturbando uma garota tentando levar ela a loucura, tamanha a maestria cm que tocam as guitarras (não resisti a metafora) o baixista Rodrigo Padin que mesmo com poucos meses na banda mostra segurança e pericia, a banda que começou o que eu já sabia ser um grande show de rock. O show foi sensacional, sem exagero, pouca gente ficou pra ver um dos melhores shows do ano no Porão, começando com “Praiana” que não conhecia, e gostei muito, indo pra ótima “Metrotech” que tem um riffs que faria qualquer Monkey vibrar (formidável mesmo), e com o melhor vocal de todas as musicas, depois seguindo com “Blues do Navio em Chamas” e passando para “Chantilly” que é uma das melhores musicas que ouvi nos últimos tempos, e que ao vivo não perdeu sua beleza, conseguindo ser a melhor síntese da banda, que vai do autentico, com as “velhas” guitarras do New Rock (perceba o paradoxo), o fetiche, um inglês sem erros e os dois vocais fielmente sincronizados, o cover do sempre bem vindo Johnny Rivers “Secret Agent Man”, outra ótima canção “Garota do Sul”, “Cherazade Blues” essa musica que o Renan me confessou ter terminado há poucas horas, e prova disso foi ele colando a letra no palco pra não se perder, e lembro vagamente do que dizia, mais não esqueço o ritmo do baixo e principalmente da guitarra insana, “O Marujo” outra musica própria, e com uma ótima pegada, e confesso ser uma pena não poder conferi-la gravada em um estúdio, indo para "Help!" dos Beatles, "Teenage Kicks", e passando por “Anos 90” que é muito melhor acompanhada com as guitarras do que a versão acústica do Myspace, e terminando com “Tony” musica que encheu minha boca de dentes, não esperava que ela ficasse tão melhor ao vivo, algo como ouvir The Who ou Doors, cheirando a nostalgia, a alternância do novo rock com seus riffs curtos, e o clássico, consistente, elegante, é onde me remete o ritmo dessa musica, eram umas 03:00 da matina quando os guris começaram a tocar os covers do Beatles e o publico que teve o privilegio de ficar até o final pode subir no palco e cantar com eles como quisessem, Renan foi pra bateria e um cara que subiu no palco acabou tocando guitarra, e uma guria que cantou algumas musicas, foi assim que se finalizou um dos melhores shows, que poucos em Curitiba viram (infelizmente), mais que provou o quando o rock independente tem em qualidade, talento a autenticidade (note como usei essa palavra pra banda), o que fez minha noite ser muito agradável, e mesmo com a dificuldade conhecida de se viver da musica hoje em dia, fico feliz, pois os que estavam ali saíram satisfeitos como eu.