A banda paulista Lab bateu um papo com o Blog Submusica, banda essa que nasceu em meados de 2006 de um projeto arquitetado por Flavio e Bruno, sem muitas prentençoês o Lab acabou crescendo, ganhando novos integrantes e almejando seu espaço no meio cada vez mais competitivo do underground brasileiro, e impondo respeito, o Lab foi votado como banda número 2 pela publicação Nova Yorkina YRB em 2007, na qual ela foi eleita uma das 20 melhores bandas do site Myspace, ela também foi destaque na imprensa brasileira, o Guia da Folha de São Paulo também percebeu nessa banda algo de diferente, e a destacou como uma banda que promete muito e deve ser encarada de forma diferente, baseado em um rock muito peculiar, sem um padrão pré-definido, algo muito corajoso e digna de aplausos hoje em dia, o quarteto liderado por Flavio bebe na fonte que passeia de Radiohead, Lou Reede e Strokes, mais o que chama mais atenção é como a banda consegue ser autentica, tangível e fora do clichê que se torna rotineiro em muitas bandas dos “tempos modernos” , com um vocal todo peculiar e um instrumental impecável, a banda consegue levar a musica para um nível que poucas conseguem atingir hoje em dia. _________________________________________________
Submusica - Bem a pergunta mais clichê de uma entrevista, qual é a graça da musica pra você, porque resolveu criar uma banda?
Flavio: Não me vejo fazendo outra coisa na verdade.
Todos na banda já tentaram outras atividades, mas a energia de se fazer música e se expressar prevalecem.
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Submusica - O que vocês acham o mp3 populariza as bandas "alternativas", ou as bandas "alternativas" popularizaram o mp3?
Ricardo: Os dois. O mp3 é uma ferramenta de divulgação que deve ser usada por todo tipo de banda, “alternativa” ou não, porque é o formato do século XXI.
Uma banda ou pessoa interessada em música que não aderir a esse tipo de formato estará à margem do que ta rolando.
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Submusica - Você acredita que ele (MP3) seja essencial para musica hoje, você conseguiria achar algum ponto prejudicial nele, não é ruim saber que uma pessoa baixa suas musicas, musicas que você levou tempo para compor e produzir, com um simples toque de mouse?
Gianni: Não é essencial pra música hoje. Ele é muito importante, mas ao mesmo tempo a música de uma banda envolve a qualidade do som, uma arte gráfica e, para mim, essas coisas estão todas ligadas. Quando você baixa uma música na internet, você deve ter isso como uma referência apenas. Eu acho que, se a pessoa gosta realmente de música, e gosta do artista ou banda que ela procurou, ela acaba indo no show, economiza uma graninha e acaba comprando o disco dele e se aprofunda até na personalidade desse artista e dos membros da banda que acabou de conhecer. Isso o mp3 não te dá, ele é apenas mais uma ferramenta.
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Submusica - Com tantas influencias para uma banda nos anos 2000, como filtrar o que pode realmente ser relevante?
Ricardo: Como Igor Stravinski falou – o compositor nunca sabe o que ele quer precisamente, e sim o que ele NÃO quer.
Flavio: Tem muita banda mesmo, ainda bem. Muitas boas, muitas ruins, muitas medianas.
Pra filtrar, só ouvindo né? Mas é impossível ouvir tudo... Então eu acabo agrupando estilos que gosto ou não. Isso aumenta meu preconceito musical, mas tudo bem. Às vezes uma banda ou música atravessa meu preconceito e eu acabo gostando. Robbie Williams, Hank Williams, Will.I.Am...
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Submusica - Como é sobreviver no meio musical alternativo, vocês fazem outras coisas além de serem músicos?
Ricardo: Tudo que eu faço está relacionado de certa forma à música.
Seja dando aula de bateria, produzindo ou gravando e fazendo shows, minha mente ta sempre virada pra música.
Flavio: Além do Lab, eu produzo bandas, artistas e trilhas sonoras, por exemplo: The Tickets, nossos comparsas, to fazendo o EP deles, bem legal. Também faço algumas faixas com a Tiê, que é uma cantora incrível. Toco no Cabaret do Dudu Tsuda & Tiê Bireaux, com uma cabeça de macaco. E, ah sim, dou aula de inglês.
Gianni: Não faço nada além da música. Toco com a Tiê, já trabalhei em estúdio e como roadie.
E faço faculdade de produção musical.
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Submusica - Até que ponto a performance de palco é importante, bandas como Killers cativaram o publico brasileiro com sua performance afrescalhada (e chupada do Fred Mercury), como você definiria a performance e o estilo de sua banda?
Flavio: O mais importante da nossa performance é a naturalidade. Todo mundo na banda é muito ‘auto-consciente’, se é que existe essa palavra, pra fazer outra coisa que não seja algo natural. Ninguém é afetado, não fazemos micagem no palco, haha. Mas também, nunca vi nosso show gravado, então não sei o que realmente acontece o tempo todo.
Gianni: E as nossas luzes de palco também são uma performance.
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Submusica - Como é a divulgação dos shows, das musicas da banda?
Ricardo: Boca-boca, Orkut, nosso site labmusica.com que é bem legal, pelo myspace.com/labmusica, o fotolog/labmusica, tem também o Trama Virtual que é bem legal e sempre tem nos ajudado na divulgação do Lab.
Gianni: Sem esquecer os flyers que a gente faz para divulgar os shows e eventos.
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Submusica - O fato de ter tanta banda, de ser tão fácil criar e montar uma, não acaba saturando muito os meios musicais, e assim ficando mais difícil crescer e se destacar, mesmo com talento?
Flavio: Qualquer coisa que eu responder seria só especulação, porque já tinha muita banda quando o Lab nasceu. Então não conheço nada além disso. Mas sei que hoje tem mais banda boa do que uns 3, 4 anos atrás. Não sei se nasceram bandas boas ou se as ruins ficaram boas. The Tickets é animal, Seychelles é muito bom, Mr. Lúdico e os Morféticos e também, Ultrafônica tá com uma formação bem boa agora. Flag Pops e Pale Sunday do interior são grandes bandas.
Ricardo: Eu acho que na maioria das vezes o talento prevalece, em qualquer estilo. Pode demorar quanto for. Mas se você for honesto com o som que cria e acreditar no seu talento,
basta correr atrás e trabalhar duro.
Gianni: Aquela pitadinha de sorte também sempre ajuda.
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Submusica - Porque a Mídia da mais atenção as coisas mais batidas e menos complexas, você não acha que com o velho argumento da "audiência garantida" ela não acaba massificando o gosto das pessoas, e pior subestimando a inteligência delas?
Flavio: O que domina o que? O mercado domina e determina o que as pessoas ouvem ou as pessoas dominam e determinam o que o mercado coloca pra elas ouvirem? Ovo-galinha. Em São Paulo e Brasil, o popular fica bem popular, e o underground fica no underground, bem restrito e pobre, mas com prestígio. Por enquanto não tem muito meio termo não, talvez logo tenha. Então o que a massa ouve é o popular. E será que eles estão esperando algo à altura da inteligência deles, porém se contentam com o que têm? Não sei.
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Submusica - Porque alguém deve ouvir Lab?
Flavio: Não sei.
Ricardo: Sim sei.
Gianni: Eu sei.
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Submusica - Você acha o inglês mais sonoro do que o português para o rock'n'roll, é mais fácil atingir com o inglês?
Flavio: É mais fácil compor em inglês. E soa mais bonito também, por causa da sintaxe e da cultura de se ouvir música em inglês. Tem algumas exceções, em que fica mais fácil compor em português. Pra atingir o público no Brasil é um pouco mais fácil se for tudo em português, mas nem tanto. Dá pra ter muito reconhecimento e sucesso só fazendo em inglês. A gente faz os dois.
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Submusica - O que esperar do Lab em 2008, quais as novidades, vai sair o CD, vão ter musicas em outros idiomas além do português e do inglês?
Flavio: 2008 vamos crescer bem mais do que em 2007. Vamos fazer uns shows fora do espectro rock, misturando synths e coisas eletrônicas, mais ou menos remixando nossas músicas.
Gianni: Vamos lançar o álbum de estréia em alguns meses. Estamos terminando as gravações,
aí vamos cozinhar ele um pouco no azeite.
Ricardo: E estou terminando a letra de uma composição minha em cantonês. Os versos né. O refrão é em mandarim.
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Submusica - E clipes, vocês tem algum, tem alguma idéia ou vontade de gravar algo?
Gianni: O único clipe que temos até hoje é da ‘Sim Natal’, que é uma música de natal que fizemos em dezembro. Lançamos como um single comemorativo e nós mesmos filmamos o clipe. Mas com certeza vamos fazer alguns para o álbum. Filmagens mais profissionais. A intenção é fazer quase um clipe ou acompanhamento musical por música, se der.
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Submusica - E a agenda, quais os shows marcados, festivais?
Flavio: Dia 15 de fevereiro, sexta, vamos tocar na Funhouse, showzão. Em março, toda quarta-feira, vamos fazer esse projeto Lab-Synth-Eletro com o DJ Ovo no Loveland em São Paulo. É um anexo do Lov.e. A lady Carol Martins é quem comanda a noite Lap to Dance. Tem nossa Festa Party, que é uma balada que fazemos na Livraria da Esquina, com nosso show + banda convidada e aí nosso DJ set, com o DJ Ovo, nosso ‘quinto elemento’. Tem lançamento da revista The Doors em abril, e vamos tocar muito mais no interior. E, se tudo der certo, Europa até o fim do ano. Por conta da banda por enquanto, haha.
Gianni: Vai ter o evento do lançamento do álbum também, que vai ser especial.
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Submusica - Qual o contato com outras bandas do meio alternativo, ele existe, é uma amizade competitiva ou existe a camaradagem, você não se sente invadido quando bandas do interior do Brasil mudam se para São Paulo, não fica muito competitivo?
Ricardo: O contato com outras bandas é muito bom, muito tranqüilo. Existem amizades em todo lugar, um tenta ajudar o outro. A competição que tem é natural.
Gianni: Competir com um cara bom é estimulante. Competir com um cara ruim não aumenta o força da banda. É bom que venham bandas do interior, eu viria fácil.
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Submusica - As musicas do Lab parecem ter um vocal um tanto blasé, algo bem diferente mesmo, foi intencional isso?
Flavio: É muito blasé? Não tenho essa intenção de ser blasé, mas a palavra é bonita. Não tem intenção nenhuma na verdade, só faço do jeito mais fácil de cantar pensando no que a música pede, o que a letra tem a dizer, onde colocar a emoção. Cada música tem uma intenção diferente do que quero passar, mas isso eu sei que acaba virando mais referência pessoal na hora de gravar. Quero gravar essa passagem imitando o Thomas Mars do Phoenix. Claro, não sôo nada igual, mas a intenção pra gravar direito ta lá.
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Submusica - Eu percebi muita coisa em sua musica, riffs a La Strokes e Arctic Monkeys, a beleza (vocal e instrumental) do Radiohead, você podia definir melhor o som e estilo da banda, você vê algum problema com essas comparações?
Flavio: As comparações são legais! Ficamos lisonjeados.
Principalmente porque Arctic Monkeys e Strokes têm diversão e Radiohead é instropectivo, melancólico e pra frente.
Ricardo: A gente acaba misturando vários estilos pelo fato que cada um na banda vem de um lugar musical diferente.
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Submusica - O Renan Santos (Tickets) falou algo (na entrevista anterior) muito interessante, no sentido de ler o mundo, você compartilha desse modo de pensar com ele, acha que pra se destacar você precisa aprender a "ler o mundo" também?
Flavio: ‘Ler o Mundo’ é uma frase bem boa do Renan. Qualquer bom compositor, músico e artista lêem o mundo e expressa essa leitura na sua arte. Se ele consegue colocar em arte o que as pessoas estão sentindo, as pessoas vão reconhecer isso na hora e gostar e apreciar. E pra ele colocar esse sentimento na arte, ele tem que sentir o mundo na própria pele. Aí ele interpreta, e faz sua arte para se satisfazer. E é aí que as pessoas captam o que ele sentiu, porque elas estão sentindo também, mas não conseguem expressar de uma forma artística. Isso vale pra letra de música, a batida da bateria, a linha do baixo, a escultura, o filme no cinema, etc.
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A Lab é: Flavio Fetusborg - Guitarra / Voz
Bruno Ped - Guitarra
Gianni Dias - Baixo
Ricardo Cifas - Bateria
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