O Blog Submusica bateu um papo com Renan Santos, vocalista da banda paulista The Tickets, nela ele fala das pretensões da banda para 2008 como o lançamento do EP 'Constantinopla', a mudança de formação, e musicas em geral.
Criada no final de 2005 à banda conseguiu o feito de ser considerado um dos 14 destaques no ano de 2007 pelo site Trama Virtual, fato é que a banda tem apenas 2 musicas, vale a pena conferir o som dessa banda, que com certeza dar o que falar em 2008._________________________________________________________________
Submusica - Primeiramente gostaria de perguntar quem saiu/entrou na banda, e como fica agora em respeito de sonoridade, estilo e afins?
Renan Santos: Bom, as músicas dos Tickets sempre foram escritas e arranjadas por mim e pelo André, que somos guitarristas e vocalistas. Dessa maneira, o núcleo criativo da banda se manteve intacto, e a chegada do Leo Ehrlich (ex-Besouro Zorah/RJ) e do Padin (Bürrows / SP) agregou muito em termos de técnica, profissionalismo e criação. Somos uma banda muito melhor hoje em dia.
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Submusica - Você já tinha coisas prontas com os guris da formação antiga, essas coisas entraram no EP 'Constantinopla'?
Renan Santos: Sempre compusemos muito, mas nunca tínhamos uma formação que pudesse realizar plenamente todas as nossas idéias. O lance não funcionava, muito por culpa nossa, que tínhamos também nossas falhas técnicas e pouca prática de banda. O Klaus e o Paulo, que foram baixista e baterista, respectivamente, tiveram um papel importante no desenvolvimento da banda, mas não estavam na vibe de dar um salto evolutivo.
O material do EP e do Álbum tem muito a ver com essa época, mas pela conseqüente evolução da banda, se encontram em um patamar muito superior.
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Submusica - Quem vai gravar o EP, quando ele sai?
Renan Santos: Vamos gravar o EP com o Flavio Juliano, vocalista do LAB e produtor. Esperamos ter material novo até fevereiro. Músicas não faltam. Vai ser legal pra caramba!
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Submusica - Você acha as bandas brasileiras e gringas, de um modo geral, um pouco repetitivas, o que fazer para fugir do clichê, ou o clichê ficou tão bom que se deve copiá-lo?
Renan Santos: Essa é uma questão complexa. Em 2001 os Strokes devolveram ao Rock sua verdadeira identidade ao olhar para trás e provocar uma enorme onda de releituras de bandas antigas. Ainda é, em minha opinião, o grande marco estético da música no século XXI, com conseqüências marcantes na cultura pop em todo o mundo. Veja só, essa onda de tunar carros antigos, camisas retrô de futebol... tudo está inter-relacionado, e o estopim foram aqueles moleques muito bem articulados de Nova York.
Dessa maneira, é possível afirmar que existe sim uma série de clichês estéticos, especialmente oitentistas e setentistas, que voltaram com tudo. Existem babaquices, mas é possível mesclar esses elementos com uma mensagem e uma linguagem atual. É fundamental, também, saber falar a linguagem do nosso tempo. As bandas ficam nesse blasé "I'm just way too tired..." e não conseguem oferecer uma comunicação lírica eficiente com a galera. Alguns conseguiram como o Arctic Monkeys.
Acredito que este é o grande desafio dessa geração.
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Submusica - Qual a formula pra se destacar hoje em dia com tantas bandas boas, e sonoridade parecida?
Renan Santos: Ser especial. E saber ler o mundo. Acho que nenhuma banda nova sabe ler o mundo. To tentando aprender, mas é difícil pra caramba. Nos anos 60 havia muito a se conquistar e as cartas estavam muito claras sobre a mesa. Hoje não. Vivemos na era da bagunça.
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Submusica - Como foi ser considerado um dos destaques do ano pelo site Trama Virtual, tendo apenas 2 musicas?
Renan Santos: Ah, é encorajador, visto que as gravações estão uma merda. Sério, estão um lixo. Mas, em essência, no mundo das idéias musicais, é um material muito, mas muito legal acho que a Trama viu isso. Só falta ela contratar a gente. Talvez, quando tivermos umas 4 músicas...
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Submusica - Hoje em dia é mais fácil se inspiram em bandas da atualidade, como Strokes, Arctic Monkeys, e afins, do que nas bandas clássicas?
Renan Santos: Os Strokes abriram o caminho, como um trator. O Arctic Monkeys estabeleceu um elo perfeito entre uma estética, digamos, mais clássica, com uma mensagem contemporânea. Tem um lirismo juvenil muito legal esses ingleses, eu curto.
Existem artistas cuja mensagem e relevância supera o teste do tempo, e dentre eles destaco caras como Dylan, Raul Seixas, Velvet Underground, Beatles. Na literatura tem a geração Beat, caras como Kerouac, Ginsberg, Corso. A fonte de água mineral está toda lá. Impossível não olhar pra eles.
Acho que o ideal é fazer como o Arctic faz. Modernizar as referências clássicas e conversar diretamente com quem interessa. Seja sua geração, você mesmo ou seu amigo imaginário.
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Submusica - Qual a pretensão da banda, a mudança de formação mudou algo?
Renan Santos: A mudança de formação buscou atender as pretensões da banda. Queremos ser bons. Bons mesmo. Precisamos de gente boa, que crie material, que invente, que discorde. Eu acredito que somos uma banda especial. Se não acreditasse não faria música. E nossa banda será especial pra muita gente. Acredito nisso.
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Submusica - Muitas bandas bombão hoje em dia, mais quando perguntam a eles se o sucesso era almejado, eles dizem que não, você acha que pra se ter sucesso, você não deve esperar por ele?
Renan Santos: Bom... caras como Bob Dylan comeram o pão que o diabo amassou para conseguir a fama. Mentiram, traíram, lutaram. Pra alguns talvez o sucesso caia no colo... ou pularam etapas o suficiente para manter o ar blasé
. Mas é muito mais legal se você se foder até conquistá-lo. No final, é que nem mulher, não acha?
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Submusica - Sei que é algo que existe faz tempo, mais pra uma banda “independente”, que aparentemente faz dele um mal necessário, qual sua opinião sobre o MP3, acha que ele nasceu pra ajudar, você compartilha musica?
Renan Santos: O fenômeno do MP3 não é um mal. É o símbolo maior de uma era onde a arte está sendo democratizada. Sem ele, o Limp Bizkit poderia ser considerado uma banda relevante, já pensou nisso? Hoje, é muito mais fácil encontrar pessoas que ouvem coisas legais. O Mp3, inclusive, é um exemplo maior de como o capitalismo se reinventa, oferecendo exatamente o contrário do que esperavam os pseudo contestadores de plantão: mais MP3, mais bandas, mais fãs, mercado diversificado, público diversificado. A massificação do pensamento é coisa do passado nos tempos de Mp3 e You Tube.
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Submusica - Você compra CDs, se sim, qual o ultimo CD que comprou?
Renan Santos: Às vezes... é bem raro. Os últimos que comprei foram uns da Maxell, um pacotão com uns 50 pra gravar as musicas que eu baixei pra levar em uma viagem.
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Submusica - O que a banda espera para 2008, a respeito de site, musicas, etc., quais as novidades?
Renan Santos: Vamos gravar bastante coisa. Até março teremos um EP de qualidade em mãos pra correr atrás de shows e gravadoras. Site... hum, vamos precisar né? Nosso batera, o Leo, trampa com isso, o baixista também...
Vamos lançar umas camisetas legais da banda... inclusive assim que estiverem prontas mandaremos pra vocês. Coisa bonita.
Mas tudo isso depende das músicas. As gravações vão ditar nossos planos pra 2008.
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Submusica - Qual a profissão e a idade de vocês, alguém já tocou em outras bandas?
Renan Santos: O André tem 20 anos, é americano de Baltimore, Maryland, faz Engenharia na Unicamp... tem um passado musical obscuro, já foi garoto prodígio na banda da Igreja, nos EUA e tocou em alguns barzinhos por lá. Rodrigo Padin é um roqueiro legítimo de Itanhaém. Fez e faz parte de uma série de bandas legais... é publicitário. Deve ter uns 22 anos, acredito eu. Eu tenho 23, faço Direito e administro uma empresa. Meu passado musical é bizarro, fui compositor de uma Boy Band. Tenho as mp3 pra provar. Já o Leo tem 22, e teve um papel importante na cena indie carioca. Foi batera do Bezouro Zorah, e de outras bandas locais. Hoje, é designer.
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Submusica - O que vocês têm ouvido ultimamente?
Renan Santos: O Padin eu não sei, ele curte muito os clássicos, ao passo que o Leo está sempre antenado com o que há de mais moderno. Arrisco dizer que um ouve Kiss enquanto o ouve Klaxons. O André ta imerso no universo Beatlemaníaco, na constelação Mcartney. E eu to respirando Bob Dylan, Woodie Guthrie e musica caipira brasileira.
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Submusica - Alguma outra coisa que esqueci e gostariam de destacar?
Renan Santos: Seria legal falar mais sobre atualidades, saber o que pensam as bandas. Ou não; artista é tudo um bando de gente pretensiosa. Acho que ta bom. Será?
Nahhh.
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Myspace: http://www.myspace.com/theticketsbrazil
Trama Virtual: http://www.tramavirtual.com.br/artista.jsp?id=57011
Orkut: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=6073691
Fotolog: http://ubbibr.fotolog.com/the_tickets/